quarta-feira, abril 30, 2008

Quer que eu lhe estenda uma, não ?




"socialistas fazem mais obstrução do que oposição", diz hoje ao jornal diário de Leiria o vereador Alberto Cascalho, presidente da câmara em exercício. Fui ler, a fim de perceber onde pudemos nós, vereadores do PS, impedir tão galhardamente os desmandos de decisões desta trágica coligação PCP/PSD e, afinal, só encontramos um exemplo pífio. Impedimos, vejam lá, durante 15 dias (os 15 dias em que o signatário esteve envolvido a sanear e a tenta livrar-se o presidente da câmara eleito) a aquisição, por 50 mil contos, de barracas para colocar o mercado municipal. Que pena! Os marinhenses, de facto, mereciam que fizessemos muito mais. Nem sequer podemos dizer, viva a obstrução!



João Paulo Pedrosa

segunda-feira, abril 28, 2008

Sophia de Mello Breyner Andresen

25 de Abril

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo







Porque me pediram o poema em que me apoiei na intervenção, aí fica um dos mais belos poemas,senão o mais belo de todos os poemas sobre o 25 de Abril.
Osvaldo Castro

sábado, abril 26, 2008

Vida inteira e limpa

é a expressão que me ocorre, por referência às palavras de Sophia do dia inicial inteiro e limpo, ao ler este discurso do 25 de Abril proferido pelo Osvaldo, ontem na sessão solene do 25 de Abril na Assembleia da Republica. Não tenho muitas coisas para dizer, ele vale por si próprio, apenas que não é só mais um discurso, juntando palavras e ordenando frases. É um discurso com substância política, com uma visão doutrinária claramente marcada, nas palavras de Medeiros Ferreira, "como se pode ser de esquerda mesmo celebrando os compromissos do dia", mas é essencialmente um discurso da vida, de vida cheia, de vida concreta, vivida, com gente, com emoções e com amor, sobretudo com amor. Concordará pois com o grande filósofo alemão F. Nietzsche que em tempos disse: "É à palavra viva que eu tenho amor". Nem mais !
Parabéns e muita satisfação por tão distinta honra!


João Paulo Pedrosa

O discurso do dia 25 de Abril, por Osvaldo Castro







Subo a esta tribuna, em nome do Grupo Parlamentar do Partido Socialista para saudar o 25 de Abril da liberdade, da tolerância, da igualdade e da fraternidade. O 25 de Abril da democracia, da descolonização e do desenvolvimento. O 25 de Abril da paz, mas também das utopias e dos sonhos ainda por concretizar.



E esta saudação vai inteirinha e directa para Vós, Caros capitães de Abril, que reiteradamente, ano após ano, honram o Parlamento com a Vossa significativa presença. E tudo porque sonharam e concretizaram a madrugada, essa madrugada, em que os corações dos portugueses se alvoroçaram.



E assim nasceu “O dia inicial inteiro e limpo/ Onde emergimos da noite e do silêncio…” como a celebrou Sophia de Mello Breyner num dos seus belos poemas.



Sim, vivíamos num enclausurado silêncio, numa longa noite que se arrastava por mais de 48 anos e que se entrecortava com uma guerra colonial que devastava pela morte, pela mutilação e pela doença, vastos milhares de jovens portugueses, mas também muitos milhares de jovens guerrilheiros e simples cidadãos africanos.



Obviamente, Portugal sangrava em África os recursos humanos e financeiros. O mesmo é dizer, vivíamos num país esmagado pela fome e pela mais pesada miséria.



Claro, não havia liberdade de opinião, nem liberdade de imprensa, nem liberdade de reunião, de manifestação ou de greve.



O regime assentava num partido único e no poder ilimitado da polícia política.



Centenas dos nossos melhores intelectuais e homens da cultura foram forçados ao penoso exílio e assim afastados compulsivamente das suas cátedras universitárias e carreiras académicas. Milhares de jovens optaram por desertar ou mesmo não aceitar serem incorporados com destino à guerra colonial.



Mas, também o quero assinalar, houve sempre muita gente que se empenhou na luta contra a opressão. Democratas, operários, camponeses, estudantes, mulheres, intelectuais, enfim, uma grossa corrente de opinião que, por isso, penou nas prisões políticas ou até sucumbiu às balas ou aos maus tratos dos esbirros do fascismo. É que, parafraseando o poeta, “houve sempre alguém que resistiu e houve sempre alguém que disse não”. Saúdo, também, todos esses cuja memória deve para sempre perdurar.



Mas é inquestionável que foi um punhado de indómitos e jovens capitães que ousou levar de vencida a ditadura e interpretar os mais lídimos sentimentos de um povo, que os saudou e motivou, naquela madrugada de 25 de Abril de 1974.



Esta é a madrugada que eu esperava…”disse Sophia. Falava por todos os portugueses!





Passados que são 34 anos podemos dizer que Portugal é um país que dispõe de uma Constituição democrática, onde estão lapidarmente inscritos os princípios basilares da democracia, onde se garantem os direitos fundamentais, em que está assegurado o primado do estado de direito democrático, consagrados o direito à opinião e expressão livres, mesmo quando são avessas à democracia, ou até a afrontam, onde se encontram plasmados os direitos, liberdades e garantias que enformam o nosso regime democrático representativo e pluralista. E mais, creio ser quase consensual asseverar que a nossa Constituição não se constitui em qualquer factor de limitação ou impedimento aos legítimos interesses daqueles que querem conviver sadiamente com o regime democrático, mesmo em termos de iniciativa económica.



E o mesmo se pode dizer da legitimação democrática do 25 de Abril, através dos sucessivos actos eleitorais para os diversos órgãos conformantes da nossa estrutura democrática. Vale por dizer que a legitimidade inscrita no frontispício do nosso estado democrático é a que radica no voto popular. E tudo sem prejuízo do recrudescimento do papel da democracia participativa, bem ilustrado pelos três referendos já realizados, pelo instituto da iniciativa legislativa de cidadãos e pela faculdade de os cidadãos se poderem candidatar a eleições autárquicas sem carecerem do patrocínio partidário.



Nesta democracia paulatinamente consolidada, há também que salientar o papel crescente da sedimentação e ampliação da autonomia e dos poderes e atribuições das instituições representativas do poder regional, que daqui saudamos.



E de igual modo sublinhamos e saudamos o poder local democrático e os milhares de cidadãos que nas assembleias e nos executivos autárquicos têm dado o seu melhor para fazer de Portugal, freguesia a freguesia, concelho a concelho, um país moderno e com mais qualidade de vida e onde cada vez mais apeteça viver.



Mas para além dos direitos democráticos e da descolonização, Portugal vai sendo cada vez mais um país que não recebe lições de ninguém em matéria de direitos sociais. Tudo porque a consagração constitucional e legal de um catálogo de direitos fundamentais dos trabalhadores, o salário mínimo, o direito à greve, à liberdade sindical, o direito pleno à segurança social, ao subsídio de desemprego, às prestações sociais, às pensões de reforma, e ao rendimento social de inserção e a protecção na doença, são pilares de um verdadeiro estado social que faz transparecer a valorização dos direitos sociais e a preocupação com a coesão social.



E tudo isto, que são diferenças por demais relevantes, no plano político e social, em confronto com os tempos da ditadura, deve-se em primeira instância ao 25 de Abril e aos 34 anos que já lhe sucederam.



Mas o 25 de Abril teve também o mérito de reintegrar o nosso país no mundo onde, por força do regime autoritário, estávamos absolutamente isolados e desprestigiados.



Foi a instauração da liberdade e a instituição de um regime democrático em Portugal que permitiu que o então primeiro-ministro Mário Soares pudesse assinar em 1985 a adesão à Comunidade Económica Europeia.



E, indiscutivelmente, foi a nossa reconciliação com os areópagos internacionais e sobremaneira a nossa integração política na Europa que permitiram acelerar, consolidar e aprofundar a democracia portuguesa.



Por outras palavras, Portugal é uma democracia parlamentar vinculada constitucionalmente ao conjunto de direitos políticos e sociais e ao modelo social europeu. E se dúvidas restassem, aí está a referência no Tratado de Lisboa à Carta dos Direitos Fundamentais, o que lhe confere valor jurídico com força de tratado e implica força jurídica vinculativa. Ora, os seis capítulos da Carta que se referem aos valores e direitos fundamentais da dignidade, das liberdades, da igualdade, da solidariedade, da cidadania e da justiça constituem, como aqui disse 4ª feira o primeiro-ministro, a “fundação da cidadania europeia” e traduzem-se, de facto, num dos maiores ganhos de causa do Tratado.



Também por isso se saúda o novo impulso para o desenvolvimento do projecto europeu que a aprovação do Tratado de Lisboa significa. A contribuição para a aprovação deste Tratado por parte da Presidência portuguesa da União Europeia é um grande feito de Portugal e da sua diplomacia e é uma circunstância feliz que esta celebração do 25 de Abril ocorra 2 dias depois de este parlamento ter aprovado o Tratado de Lisboa.



É que, para além de haver, agora, condições para superar os impasses em que a União estava mergulhada, é um facto que o Tratado retoma e aprofunda os valores europeus, ou seja, a vinculação aos direitos humanos, à paz e à valorização dos direitos sociais, assim se acentuando a coesão, uma nova dimensão da economia e o aprofundamento do controlo democrático por parte dos parlamentos nacionais das decisões legislativas e não legislativas oriundas da Comissão.



Mas, deixem-me sublinhar, creio que vai sendo cada vez mais indiscutível que a participação de Portugal na União Europeia tem sido, até agora, uma história de sucesso. Foram criadas condições económicas, sociais e culturais para que Portugal acedesse ao conjunto dos países mais desenvolvidos do mundo. Nos últimos 20 anos, o país progrediu em termos da melhoria de indicadores de qualidade de vida e de saúde, transformaram-se profundamente as condições de mobilidade e acessibilidade. Portugal reagiu favoravelmente à crescente importância do tema da sustentabilidade ambiental, alinhou positivamente nos progressos da sociedade de informação e do governo electrónico e revelou uma capacidade significativa de integração de populações etnicamente diversificadas. Por outro lado, a integração europeia propiciou condições favoráveis ao crescimento estruturado do sistema científico nacional e à sua internacionalização.



Com a ajuda dos fundos estruturais e de coesão -a maior operação de solidariedade económica na história recente de Portugal – o país foi elevado a outro nível de expansão económica, como o evidencia a convergência do seu Produto Interno Bruto com a média comunitária. Sim, é verdade que o PIB per capita (em padrão de poder compra) que era de 54,2% em 1986, passou para 68%, em 2003 e atingiu 75% em 2006 (último ano disponível) e com referência tão só a UE a 15, o que significa que o cálculo a 27 dará valores ainda mais convergentes e uma diminuição substantiva da diferença do nosso país relativamente à média comunitária.





O 25 de Abril significa a refundação da democracia em Portugal. A democracia é um processo inacabado, que requer constante aprofundamento. O Parlamento é a casa da democracia. Não se pode, pois, deixar de assinalar hoje que esta sessão legislativa já decorre sob o signo de um novo Regimento que trouxe maior centralidade ao Parlamento, consubstanciadas no reforço das suas competências de fiscalização do Governo e da administração e o aumento significativo dos poderes da oposição. Esta reforma inscreve-se, aliás, na linha das decisões estruturantes para a reforma da democracia, que a Assembleia já tomou ao longo desta legislatura: a consagração legal do princípio da paridade, a limitação dos mandatos legislativos, o aperfeiçoamento do registo de interesses e incompatibilidades, assim como outros instrumentos do papel do deputado e da deputada.





Felizmente, estas mudanças já inspiraram também a iniciativa de revisão do Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores e só é de esperar que venham também a inspirar outras realidades do território nacional, porque a democracia que hoje celebramos só é verdadeiramente democrática lá onde todos os deputados são respeitados como legítimos representantes dos que os elegeram, onde os direitos das oposições são estimados e se verifica a fiscalização política pelas assembleias representativas.





É por isso que se pode dizer com verdade que o 25 de Abril valeu a pena. Não ignoramos que subsistem problemas, que há ainda pobreza, que há desemprego e situações de vida dolorosas para muitos portugueses. Mas mesmo essas situações têm vindo a ser atalhadas, minoradas e há medidas em curso para as corrigir.



Mas também ninguém pode ignorar que além da ciclópica tarefa de corrigir o défice e pôr em ordem as contas públicas, as verdadeiras reformas estruturais, as que podem criar as condições para um desenvolvimento económico sustentado têm estado na agenda do governo.



Ao celebrarmos o 25 de Abril queremos que fique claro, particularmente para os mais jovens, aqueles que estão abaixo dos 40 anos, que a “revolução dos cravos”, uma revolução pacífica, devolveu a todos nós a dignidade e o orgulho de sermos portugueses.



Sim, o 25 de Abril, gesto heróico de jovens capitães, valeu a pena, porque melhorou a vida dos portugueses, acabou com uma guerra fratricida e conferiu aos cidadãos de Portugal os direitos, liberdades e garantias que a ditadura sempre nos negou.



É por tudo isto e pela honra de ter subido à tribuna em Sessão de tamanha relevância que estas palavras são dedicadas ao Ernesto Melo Antunes que fez o favor de ser meu Amigo, desde que nos conhecemos no Regimento de Artilharia de Leiria, ano e meio antes do 25 de Abril, ao António Marques Júnior, ele sabe porquê…e nestes dois envolvo todos os capitães de Abril.



E, inevitavelmente dedicadas também aos jovens da Crise Académica de 1969, em Coimbra, na pessoa do Alberto Martins que sempre nos representou a todos.



Mas palavras dedicadas também a alguns jovens que estando na casa dos 30 anos, ou até menos, e porque lhes conheço a devoção pelo 25 de Abril, que conhecem de ler e de ouvir contar, ou porque estão no meu coração ou porque tão simplesmente são o penhor do nosso futuro democrático, mesmo quando discordem de algumas palavras que proferi.



O 25 de Abril foi “o dia inicial inteiro e limpo”…Por isso, Filipa, Gabriela, João Martins, Rute, Daniel Filipe, Vanda, Nélia, João Nuno, Odete, Catarina, Tiago, Guilherme, Cristianne, Dinis, e também para vós senhores deputados, os mais jovens de cada uma e de todas as bancadas.



O 25 de Abril foi “o dia inicial inteiro e limpo”…………………. Guardem -no para sempre!





25 de Abril, Dia da Liberdade !

25 de Abril,
“O dia inicial inteiro e limpo…”

(Para o Dinis, quando souber ler)

Conto-te daquela madrugada em que os corações dos portugueses se alvoroçaram.
Nascia “O dia inicial inteiro e limpo/ Onde emergimos da noite e do silêncio…” como a celebrou Sophia de Mello Breyner num dos seus belos poemas.
Sim, vivíamos num enclausurado silêncio, numa longa noite que se arrastava por mais de 48 anos e que se entrecortava com uma guerra colonial que devastava pela morte, pela mutilação e pela doença vastos milhares de jovens portugueses, mas também muitos milhares de jovens guerrilheiros e simples cidadãos africanos.
Obviamente, Portugal sangrava em África os recursos humanos e financeiros. Por outras palavras, vivíamos num país esmagado pela fome e pela mais pesada miséria.
Claro, não havia liberdade de opinião, nem liberdade de imprensa, nem liberdade de reunião, de manifestação ou de greve.
O regime assentava num partido único e no poder ilimitado da polícia política.
Mas, também te digo, houve sempre muita gente que se empenhou na luta contra a opressão, democratas, operários, camponeses, estudantes, mulheres, enfim, uma grossa corrente de opinião que, por isso, penou nas prisões políticas ou até sucumbiu às balas ou aos maus tratos dos esbirros do fascismo.
A Marinha Grande sabe disso muito bem porque muitos dos seus filhos o sentiram…
Até que um punhado de indómitos e jovens capitães ousou levar de vencida a ditadura e interpretar os mais lídimos sentimentos de um povo, que os saudou e motivou, naquela madrugada de 25 de Abril de 1974.
“Esta é a madrugada que eu esperava…”disse Sophia. Falava por todos os portugueses!



(excerto adaptado das minhas primeiras palavras na Sessão Solene do 25 de Abril de 2008, na Assembleia da República)




Osvaldo Castro

quarta-feira, abril 23, 2008

O Vereador João Alfredo Marques Pedrosa



pereirita, para os amigos, vai a Cuba. Segundo nos informou há pouco na reunião de câmara, Alberto Cascalho designou o vereador da "cultura" para representar o município numa viagem a Cuba para contactos com o Estado cubano.


João Paulo Pedrosa

segunda-feira, abril 21, 2008

A guarda pretoriana cuidará de César, enquanto César cuidar dos interesses de Roma; Quando César não mais cuidar de Roma haverá outro César


"Com o tempo, os pretorianos converteram-se num grupo de pressão e o seu prefeito numa personagem poderosa. No ano 41 d.C., o imperador Calígula foi assassinado pelo prefeito do pretório, Cássio Querea".

Este semana o Jornal da Marinha apresenta a notícia que João Barros Duarte solicitou à câmara os ordenados que não recebeu enquanto lá esteve. Há já algum tempo que tinha ouvido falar disso. A questão está em saber se Barros Duarte tem direito a receber os ordenados que não recebeu, ou não. Se tem, não é notícia, se não tem, aí sim é notícia na medida em que está a reclamar uma coisa que não lhe é devida. Mas isso não é dito na notícia, porque, certamente, se conhece que tem direito a esse recebimento.
Por isso o mais importante da notícia é o que não está escrito, ou seja, o mais importante é saber porque é que o actual executivo municipal decidiu passar esta notícia, agora, para os jornais.
Está-se mesmo a ver que à medida que o tempo de suspensão de Barros Duarte se aproxima do fim, o actual executivo PCP/PSD agrava as condições tendentes ao seu não regresso, aprofundando um assassinato de carácter já totalmente irreversível e irreparável na sociedade marinhense. Nada que Barros Duarte também não tenha já feito a outros. Merecem-se!
Não obstante, este é um comportamento miserável e totalmente inaceitável na vida pública.


João Paulo Pedrosa

Escrever na água


As comemorações do 25 de Abril deste ano, organizadas pela câmara municipal, são do mais pífio de que há memória. Quebrando uma tradição de apoio às colectividades que nos diversos lugares do concelho, durante um mês, organizavam eventos, as deste ano praticamente se circunscrevem ao dia 24 e 25, com um programa repetido e sem qualquer imaginação. Podia, eventualmente, alguma razão de ordem orçamental ter condicionado o programa e, justamente, impedido a sua maior diversidade e melhor qualidade. Todavia, ao chegar ontem a casa, deparo-me com a habitual Agenda Cultural onde está descrita a programação do 25 de Abril. À noite, no café, um desdobrável caro e de excelente qualidade gráfica anuncia as iniciativas do 25 de Abril que já estavam na agenda cultural. A tudo isto acresce mais meia página, nas páginas centrais, do Jornal da Marinha Grande, como publicidade paga, para anunciar a mesma programação. Ou seja, a câmara municipal terá provavelmente gasto mais em publicidade das comemorações do que nas comemorações propriamente ditas.
Só ainda não compreendi porque é que tendo a câmara mandado 15 mil exemplares da agenda cultural para casa de todos os cidadãos deste concelho, ainda sentiu necessidade que fazer sair a mesma publicação no jornal como publicidade paga. Porque será ? Terão os leitores uma ideia ? Não estou mesmo nada a ver...


João Paulo Pedrosa

A farsa continua


no género de jornalismo burlesco que o Jornal da Marinha decidiu iniciar pela pena de Alice Marques, deputada municipal do PCP. Para esta semana o convidado da rubrica "Um dia com..." é, como não podia deixar de ser - nesta campanha de salvação da desgastada, ineficiente e incompetente coligação PCP/PSD - o inenarrável sr. Artur.
Durante o dia de "remir o cativo", logo às 5 ou 6 da manhã, lá estava a criatura pronta para tão encenada peça (a seguir deve haver alguém que comece às 2 da manhã). Foi um dia em cheio! Para quem não sai do gabinete o dia todo, desta vez não parou um segundo, correu de sala em sala, num ritmo alucinante para estupefacção geral e indignação de todos os que no dia a dia nunca vêem nada assim.
Imaginem lá, caros leitores, de que tempera irá ser feita a peça. Estou mesmo curioso, muito mesmo.



João Paulo Pedrosa

sábado, abril 19, 2008

Um Prognóstico antes do Jogo...!

....E a verdade dos factos está à vista. Em todas as últimas sondagens, o Dr. Menezes obtém resultados mais baixos do que o anterior líder Marques Mendes e o próprio PSD mantém-se em níveis absolutamente indesejáveis e insuficientes para poder disputar a maioria a José Sócrates.
Por mais que se esforce o actual líder do PSD está, com o seu comportamento e com a sua falta de coerência em matéria de liderança, a perder pontos fora do partido, e, pior que tudo no interior do seu próprio partido.
As recentes declarações de Ângelo Correia, um dos principais apoiantes de Menezes e o actual presidente da Mesa do Congresso, são disso exemplo muito evidente. E, quem como eu fala diariamente com membros qualificados do PSD nos corredores do Parlamento, admita-se, que tenha razão de ciência bastante para poder prever com alguma segurança que os militantes do PSD não vão deixar Menezes/Ribau elaborar as próximas listas eleitorais às europeias, e, especialmente, às legislativas.
Pode ser que me engane, mas quase apostava dobrado contra singelo que não é este PSD a disputar as próximas eleições com Sócrates.
.....
(Trata-se da parte final da minha habitual crónica no "Jornal de Leiria", escrita na passada 3ªfeira e publicada na própria 5ª feira em que o Dr. Menezes se demitiu fragorosamente de presidente do PSD...ele há coisas que estavam na cara...)
Osvaldo Castro

quinta-feira, abril 17, 2008

Crise Académica de 1969

Em 17 de Abril de 1969,faz hoje 39 anos, os estudantes de Coimbra desencadearam uma luta académica que se prolongou até Novembro desse ano. "Luto"(eufemismo para greve) a aulas, posteriormente, a exames, com adesão de 86% dos estudantes,e encerramento da AAC pelo poder ditatorial da época.E muitos processos disciplinares e criminais contra os principais dirigentes e inúmeras prisões de jovens rapazes e raparigas... e, finalmente, incorporação compulsiva no exército(estávamos em plena guerra colonial) de 49 estudantes dos mais destacados.
Pela primeira vez no decurso do fascismo, o poder autoritário foi forçado a retroceder perante um movimento associativo estudantil.Caíu o Ministro da Educação(o inefável J. Hermano Saraiva), o Reitor e o Vice-Reitor da Universidade, e o governo da ditadura sentiu-se forçado a amnistiar e extinguir os processos desencadeados contra centenas de estudantes.
Na fotografia,o Vice-Presidente da Direcção-Geral da AAC,o subscritor deste "post", dava conta aos estudantes, da prisão, durante a madrugada de 17 de Abril, do Presidente da AAC,Alberto Martins, que ousara cumprir uma decisão estudantil, a de pedir para usar da palavra, em nome dos estudantes de Coimbra, perante o Chefe de Estado da ditadura, Américo Tomás...
Foi a confusão generalizada entre os altos dignitários da ditadura...Aí começou o maior movimento de solidariedade e criatividade de jovens estudantes universitários, em Portugal...
Permitam-me recordar aqui a coragem de todos os estudantes de Coimbra que participaram nessa luta e não esquecer alguns dos principais dirigentes,além dos referenciados.Um abraço para a Fernanda Bernarda, Celso Cruzeiro, Matos Pereira, Gil Antunes, José Salvador, Rui Namorado,Strecht Ribeiro, Carlos Baptista, José Manuel Roupiço,Pio Abreu, Décio Freitas,Carlos Fraião,Isabel Pinto, Fernanda Campos,Guida Lucas, Filomena Delgado,Fátima Saraiva e tantos outros que nunca esqueceremos.A nossa saudade sentida para os Profs. Orlando de Carvalho e Paulo Quintela,Barros Moura, João Amaral,Sardo, Clara Antunes, Manuela Seiça Neves , Garcia Neto e outros que partiram cedo demais.

Osvaldo Castro

Os propagandistas

estão aí, ou melhor, nunca daqui saíram! De facto, em 20 de Novembro de 2007, escrevi aqui, entre outras, as palavras que se seguem a propósito do exercício do mandato por parte de Alberto Cascalho:

(...)estando esta coligação PCP/PSD à frente da câmara municipal há já dois anos com os resultados conhecidos, quero dizer, com total ausência de resultados, não se percebe, ou percebe-se bem demais o que aquelas palavras querem dizer. Demarcação total dos últimos dois anos e nos próximos dois não fazer rigorosamente nada, não tomar decisões (umas cedências aqui e ali ao PSD para manter a coligação a coberto de sobressaltos até às eleições) e fazer muitas visitas com o presidente da junta para mudar uma lâmpada aqui, tapar um buraco ali, arrancar umas ervas acolá. O seu único objectivo é chegar até às próximas eleições passando por todos os pingos da chuva.
Não sabia! Vou estudar! Vamos ver! Têm razão!
Dois anos de comédia a juntar a outros tantos de tragédia. Estes são os quatro anos de maior atraso e empobrecimento da história política do concelho. Não é motivo para satisfação, de facto.

Mal eu sabia que a realidade ainda iria suplantar a minha própria previsão. De facto, o PCP, em nota informativa para a comunicação social, acaba de anunciar que, a partir de agora, o executivo municipal irá, todos os sábados, fazer um porta-a-porta em todo o concelho para ouvir as populações e termina com uma sessão de propaganda na colectividade local, a primeira é já nas Figueiras.
Ora, depois de já terem ido "não sei quantas vezes" com a Junta de Freguesia aos lugares ver a lâmpada, mais a valeta, mais a erva que cresce aqui e ali e, não obstante, a lâmpada lá continuar fundida, a valeta por limpar e a erva que continua ainda, felizmente, a crescer, lá vai este executivo municipal, com total despudor, iniciar mais uma acção de propaganda e de campanha eleitoral a mais de um ano de eleições. A piscina municipal foi à vida, as escolas estão ao abandono, a cultura e o desporto desapareceram do mapa, o PDM parou a revisão há 3 anos, as zonas industriais estão na mesma, as variantes também e ainda não construíram um centímetro de saneamento, mas para a propaganda já têm arte. Infelizmente, para mal do nosso destino colectivo enquanto concelho, estes são quatro anos totalmente parados. Quatro anos a andas para trás.




João Paulo Pedrosa

domingo, abril 13, 2008

O vomito


é o que mais aproximado posso dizer sobre o texto que a Srª Alice Marques, deputada municipal eleita nas listas do PCP, assinou no Jornal da Marinha Grande na rubrica "Um dia com Alberto Cascalho".
É um texto tão panegírico e propagandístico que até Alberto Cascalho deve estar envergonhado dele.
É um texto desprovido de qualquer valor informativo ou conteúdo noticioso, no qual a autora apenas pretende apresentar o seu amigo e, agora, presidente da câmara em exercício como homem providencial.
É Deus no céu e Alberto Cascalho na terra.
Não há ali naquele texto uma ponta de verdade, de análise objectiva ou de reflexão crítica a merecer a mínima consideração. A Srª Alice Marques acabou até por prestar um mau serviço ao seu amigo e procurou passar um atestado de estupidez aos leitores do jornal.
A mim ela não me engana e como leitor do jornal não posso deixar de denunciar esta vergonhosa peça jornalística.
Alberto Cascalho, caracterizado por ser um homem pachorrento, calmo e conhecido de todos pela sua endémica incapacidade de decisão (dizem os funcionários da câmara que começa todas as reuniões com a frase: não vamos aqui decidir nada!) é-nos apresentado como um homem frenético que das sete às duas da manhã (entre papeis que ainda leva para casa e livros de cabeceira, vejam lá quando é que dorme!) toma centenas de decisões difíceis e complexas, acorre a inúmeras solicitações da sociedade civil, vai a cerimónias que exigem grande concentração intelectual, recebe munícipes, às dezenas, a cada esquina (não obstante estes se queixarem que nunca conseguem passar a placagem das mulheres da sua guarda pretoriana), faz discursos carregados de significado político, mas também de fino recorte de humor e sempre com um alcance doutrinário tal que deixam extasiada tão isenta e criteriosa cronista.
Tal e qual como escreveu Machado de Assis, "elogiou o enterro, e por último fez o panegírico do morto, uma grande alma, um espírito activo e um coração recto".
Uma vergonha ! Um autentico vomito !


João Paulo Pedrosa

sábado, abril 12, 2008

F-R-A ! Académica!

A Académica venceu o Benfica, no Estádio da Luz, por 3-0. É um feito histórico...há mais de 50 anos que os "capas negras" não venciam, em Lisboa, o "glorioso"...
Não tem nada de pessoal...é desporto e a Académica estava bem precisada de pontos...
Mas,3-0, é obra!






Osvaldo Castro

quarta-feira, abril 09, 2008

Um concelho parado, adiado



O primeiro-ministro, José Sócrates, a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, e o ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional, Francisco Nunes Correia, participam amanhã, quinta-feira, dia 10 de Abril, a partir das 11.00 horas, na cerimónia de assinatura de protocolos para construção de Centros Escolares por Câmaras Municipais no âmbito do Quadro de Referência Estratégico Nacional.


Quando leio notícias destas a minha angústia agrava-se ainda mais ao constatar que há câmaras municipais neste país, felizmente, que estão a tratar do seu futuro, quero dizer, do futuro e do bem estar das próximas gerações. O financiamento de centros escolares, por parte do QREN, são a última possibilidade das autarquias em Portugal beneficiarem de fundos comunitários para adaptarem o seu parque escolar com vista aos próximos 20 ou 30 anos.
A Marinha Grande investiu e modernizou o seu parque escolar nos últimos 12 anos como nunca havia sido feito. Apesar disso - não se pode dizer que foi dinheiro mal gasto porque serviu bem as nossas necessidades e as nossas crianças - daqui a 20 ou 30 anos estará, porventura, ultrapassado. Havia, por isso, necessidade de criar três parques escolares na Marinha Grande, a saber, um em Picassinos (cuja escola está espartilhada por três edifícios mais a igreja), outro para a zona da Boavista/Casal Galego que incorporasse Pêro Neto, Amieira, Pilado e Garcia e, finalmente, um outro para a zona da Ordem/Amieirinha neste momento espartilhada por uma série de edifícios escolares. Este executivo apenas aceitou o de Picassinos, mas querem-no fazer afastado da localidade e num terreno onde estava projectada uma creche (equipamento fundamental para a cidade). Eliminaram o projecto da creche e, num espaço onde hoje apenas cabem 50 criança no recreio, querem lá colocar 300. Por isto (e bem) a assembleia municipal reprovou a carta escolar. O dr Alberto Cascalho apressou-se logo a resolver o problema. "Se não concordam com o que eu e o excelso vereador Artur decidimos na câmara, então não há carta escolar para ninguém", se bem o pensou, melhor o fez!

Efectivamente, há mais de 6 meses que o processo de aprovação da "Carta Escolar" está metido na sua gaveta. Enquanto a câmara não vir aprovada a carta escolar não se pode candidatar ao QREN, aos fundos comunitários. Enquanto isso, como se constata na notícia, há municípios que já assinam protocolos para a construção de centros escolares. Já lá vai o tempo em que as novidades chegavam primeiro à Marinha.
Triste destino, o nosso !


João Paulo Pedrosa

A mordaça

Esta coligação municipal PCP/PSD, apesar da sólida maioria que tudo faz aprovar sem discussão, debate ou crítica, tudo faz também para afastar os vereadores do PS da participação da vida do concelho.
Não nos dão nenhuma informa
ção e, pior que isso, escondem-nos tudo o que é verdadeiramente relevante para a vida do concelho, como se a opinião da oposição, não valendo nada, é certo, para a aprovação dos assuntos, não merece-se, ao menos, para qualquer democrata que se preze, atenção e ponderação.
Por isso a única forma de se ter acesso à informação é elaborar requerimentos escritos que, por lei, nos têm que ser respondidos no prazo, salvo erro, de dez dias. Mas mesmo aqui não cumprem as obrigações legais, já que há uma série de requerimentos que apresentei há meses e que ainda não obtive resposta.
Adiante.
Devem estar lembrados os leitores que aquando do encerramento do "velho mercado municipal", por parte da ASAE, que o sr delegado de saúde ameaçou desautorizar essa determinação e até apresentou um relatório para a contraditar e foi até, com base nisso, que a maioria PCP/PSD intentou uma providência cautelar para abrir o mercado. Estão recordados, é claro!
Durante algum tempo perguntei pelo resultado dessa providência cautelar, faziam-se sempre despercebidos. O tempo foi passando e vamos-nos esquecendo...
Até que há uma ou duas reuniões de câmara atrás, não estive com mais contemplações, requerimento escrito a pedir cópia do resultado dessa providência.
A carta de resposta chegou-me há pouco.
A sentença, vejam bem, datada de "22 de Outubro de 2007, após as 17 horas" diz, no final o seguinte:
"Sendo portanto legalmente inadmissível o recurso ao presente expediente processual, impõe-se a absolvição dos réus (ASAE) da instância por verificação de excepção dilatória inominada, de conhecimento oficioso , nos termos dos artºs 493, 494 e 495 do Código do Processo Civil.
Nos termos e com os fundamentos supra explicitados absolvo da instância os requeridos (ASAE).
Custas a cargo da câmara municipal"


João Paulo Pedrosa

segunda-feira, abril 07, 2008

Bem a propósito...Lágrima de Preta, o poema de Gedeão, a voz de Adriano e a música de Niza









Osvaldo Castro

domingo, abril 06, 2008

I Have a dream...

Martin Luther King foi assassinado, em Memphis-Tenessee, fez 40 anos no passado dia 4 de Abril.

Era um lutador indomável pelas liberdades cívicas e pela igualdade dos seres humanos. A ele e à luta dos seus companheiros se deveu a legislação que pôs fim às inenarráveis desigualdades e discriminações a que estavam sujeitos os membros das etnias negra, asiática,islâmica e demais.

O discurso que aqui se reproduz foi proferido, em Agosto de 1963, no fim da Marcha pelo emprego e pela liberdade que mobilizou milhares e milhares de americanos de todas as etnias.Ficou na história e pode bem vir a ser cumprido...bem recentemente uma sondagem efectuada nos EUA confirmava que mais de 70% dos americanos estão disponíveis para aceitar um afro-americano para presidente.

Luther King, o laureado com o Prémio Nobel mais novo da história, não viu concretizado o seu sonho... Foi morto pelas balas traiçoeiras dos racistas e dos torcionários.

Relembrá-lo e ouvi-lo é demasiado intenso, mas muito belo.

Osvaldo Castro

TRICAMPEÕES...

Bruno Alves, um defesa seguro, confiante e que se eleva sempre acima dos adversários...
É um dos campeões do Futebol Clube do Porto....e falta ainda tanto campeonato !
Parabéns aos tricampeões.






Osvaldo Castro

Educação para a "gentlemanship"

Ainda reflectindo sobre a indisciplina na Escola, vale a pena ler a opinião de J. C. Espada, publicada no Jornal Expresso:

Educação para a "gentlemanship"

A liberdade e a democracia são indissociáveis de um sentido pessoal de dever.

As pessoas interrogam-se sobre as razões que presidem ao aumento da indisciplina nas nossas escolas. Os esquerdistas de serviço correm a dizer que esse é um problema europeu e não apenas nacional. E é verdade: só que, ao contrário dos nossos esquerdistas de serviço, vários países europeus - como a Inglaterra e a Suécia - estão a enfrentar o problema.O problema é simples e foi primeiro detectado na América (se tenho permissão para citar esse alvo de todas as críticas): nós estamos a utilizar na educação ocidental um sistema de tipo soviético que não usamos nas outras esferas de actividade (com a excepção da saúde). Temos um quase monopólio estatal de educação.Resultado? Burocracias governamentais gigantescas tendem a impor uma ortodoxia esquerdista, secularista e laxista que vem minando dramaticamente os padrões de educação - não só dos filhos deles, o que não seria da minha conta, mas também dos nossos filhos e dos nossos netos. É uma verdadeira lavagem ao cérebro.Essa ortodoxia esquerdista vira o mundo de pernas para o ar. Ao contrário dela, por exemplo, nós não deveríamos recear o termo Ocidente. E não deveríamos aceitar que a democracia fosse apresentada como uma inovação esquerdista criada pela Revolução Francesa ou por um dos seus muitos sucedâneos, como o Maio de 68. Como apontou Karl Popper, cuja autobiografia foi finalmente publicada entre nós, a democracia ocidental é produto de uma longa conversação - entre gerações, e entre fé e razão - com raízes nas tradições greco-romana e judaico-cristã. A Magna Carta de 1215, por exemplo, contém os princípios essenciais que presidem aos modernos regimes constitucionais e democráticos.Isto tem muitas consequências. Uma delas é que a liberdade e a democracia são indissociáveis de um sentido pessoal de dever - que os subscritores da Magna Carta conheciam, mas que era ignorado pelos agitadores da Revolução Francesa. É um sentido de dever que não depende do capricho e que limita o capricho. Karl Popper, entre muitos outros, chamou a isto o espírito de «gentlemanship» e definiu-o simplesmente: um «gentleman» é aquele que não se toma a si próprio demasiado a sério, mas que está pronto a tomar muito a sério os seus deveres, sobretudos quando os outros só falam dos seus direitos. Winston Churchill foi, no século XX, um exemplo primeiro deste sentido de dever.De onde vem este sentido, não primariamente político, de dever? A busca de uma resposta fica impossibilitada se excluirmos da conversação as vozes dos nossos antepassados, designadamente as vozes greco-romanas e as vozes judaico-cristãs. Mas é esta exclusão que está diariamente a acontecer no nosso sistema estatal de educação.

(Jornal Expresso, 5.04.08 - 080405)
Nélson Araújo

terça-feira, abril 01, 2008

Intendência

Pretendemos renovar os colaboradores do Praça Stephens, dado que as lides da casa têm ficado apenas a meu cargo, do Osvaldo e, agora, mais militantemente, do padre Nelson, um regresso que calorosamente saudamos.
Está já aí pronto, pois, um novo colaborador. É inteligente, escreve muito bem, aprecia os prazeres da vida (ó se aprecia) e compete comigo num campeonato especial que, embora empatado, de certeza, vou perder. É ainda do Benfica e é meu amigo, só tem, portanto, qualidades. Força aí, RA!