terça-feira, outubro 30, 2007

Quando é que o PS vai entregar os pelouros ?

é outra das perguntas do Largo das Calhandreiras e que exige uma reflexão um pouco mais longa e explicativa. Vamos a isso. O actual sistema de governo autárquico tem potencialidades e defeitos, ainda assim, entendo que tem vantagens que não são negligenciáveis e que nem sempre foram bem aproveitadas. O facto, justamente, de antes ter estado no poder e agora na oposição enriqueceu a minha análise sobre ele. Dito isto, a minha opinião é que, no interesse das populações e no interesse da valorização da imagem dos partidos políticos em democracia, todos devem esgotar ao máximo as possibilidades de entendimento e convergência. Não significa isto, claro está, que se diminua o papel fiscalizador de todos e muito menos o aniquilamento das diferenças, salutares, que existem e que concorrem entre os partidos políticos. É evidente, pois, que nestas decisões pesa muito o facto de todos os que perdem quererem ganhar um dia e, por consequência, afirmar uma alternativa. Neste aspecto há, na realidade, resultados para todos os gostos. Com efeito, em Sesimbra, por exemplo, o PS partilhou a gestão camarária com a CDU e perdeu as eleições e na Marinha Grande o PS não partilhou a gestão camarária com a CDU e perdeu na mesma, portanto, o modo como a gestão é partilhada pode determinar ou não a mudança de força política.
Tenho para mim que há outros factores muito mais determinantes. Adiante. Uma semana depois das eleições autárquicas de 2005 eu, enquanto presidente da concelhia do PS da Marinha Grande, fui procurado pelo dirigente local da CDU, Sr José Luís de Sousa indagando-me da possibilidade do PS aceitar pelouros no novo executivo municipal. Mostrei, à partida, que da nossa parte não havia nenhuma reserva mental em relação a isso, mas fui ainda mais longe na explicitação de propósitos políticos muito importantes. Apelei à reflexão deste dirigente do PCP para a necessidade de reduzir a conflitualidade partidária, na maior parte das vezes, mais retórica do que substantiva, em favor dos reais interesses do concelho. E, nessa medida, disse-lhe que era de todo conveniente que os dois maiores partidos, PCP e PS, se entendessem nas questões fundamentais para o concelho, uma vez que os tempos estão difíceis para todos e que, portanto, o interesse da população assim o justificava (e não me enganei porque há um conjunto de assuntos fundamentais para o concelho que ou os dois principais partidos se entendem ou então vamos ter conflitualidade estéril por muitos mais anos e por muitas mais legislaturas autárquicas, mercado, TUMG, zonas industriais, piscina, centro educativos, saneamento básico, para citar apenas alguns) . Em conclusão, referi-lhe que só havia duas alternativas para a CDU no novo executivo municipal:
- Governar preferencialmente com o PS e aí era possível uma redução maior da conflitualidade política por ganhos de negociação, necessariamente mais difíceis, mas também mais úteis.
-Governar com o PSD aumentando a conflitualidade, mas sem problemas de negociação política sobre os problemas porque o vereador do PSD já se sabia, iria fazer tudo aquilo que o PCP mandasse.
Ganhou a hipótese mais óbvia e aparentemente mais simples, mas também, como se está a ver, com os mais trágicos resultados.
Com este quadro, aos vereadores do PS só restava participar nas reuniões de 15 em 15 dias e fazer oposição, necessária e legítima, aliás, mas sem nenhuma colaboração na resolução dos problemas do concelho. Entendemos que, por mais pequeno que fosse, poderíamos dar um pouco do nosso esforço para ajudar a resolver os problemas das pessoas, e foi assim que fizemos. Apesar de nos terem sido atribuídas funções muito escassas, não dou por mal empregue o trabalho que efectuámos, foi em proveito dos nossos munícipes e não hipotecamos em nada as nossas responsabilidades de fiscalização e de oposição às políticas desastrosas da actual maioria PCP/PSD. Na verdade, sem a nossa presença, com pelouros, no executivo acho que nunca se teria aberto o CAT (centro de atendimento para toxicodependente) que neste momento trata este flagelo social a mais de 500 cidadãos; Sem a nossa presença, com pelouros, no executivo a comissão de protecção de crianças e jovens em risco não seria tão eficaz e interveniente na defesa das crianças maltratadas e abandonadas no seio familiar e sem a nossa presença, com pelouros, no executivo o desbloqueamento dos terrenos e do projecto para alargamento do cemitério do Casal Galego e de Picassinos, não se teria dado. Dir-me-ão que são pequenas coisas, é verdade, mas ainda assim muito úteis para a população. Nos tempos que correm não há boas vontades que sejam negligenciáveis.
É evidente que esta maioria, por desconfiança e sem verdadeiro espírito de colaboração, tudo fez para tornar a nossa vida no executivo municipal num inferno. Não nos atribuíram gabinete de trabalho, nem telefone, nem o mínimo de condições decentes para fazermos o nosso trabalho (basta lembrar que o actual chefe de gabinete da câmara, Rogério Raimundo, vereador em Alcobaça sem pelouros atribuídos, tem, e bem, telefone e um gabinete de trabalho para o exercício das suas funções), até a gasolina que eu gastei para ir a iniciativas da câmara, algumas delas a pedido do próprio presidente, queriam que ainda fosse eu a pagá-la, só me restituindo o dinheiro, como era meu direito, após um parecer à associação nacional de municípios que confirmou, como é óbvio, a justeza desse pagamento. Para além das tentativas de humilhação dos vereadores do PS e de mim próprio, já que sistematicamente mandam em representação da câmara, para iniciativas dos pelouros da acção social, não o respectivo vereador, mas o vereador do saneamento. Só por aqui se vê também o tratamento que dão a estes assuntos e a preocupação que têm com estas matérias.
Quanto ao futuro, como dizia Popper, ninguém sabe nada dele. Vamos aguardar. Os vereadores do PS tudo farão, no entanto, para ajudar a resolver os problemas do concelho. Afinal representamos mais de 6000 votos. Não sabemos ainda é que importância tem isso para a actual maioria, fragilizada e ilegítima. Estamos a poucos dias de o saber. Como dizia o romance do Conde Arnaldo, so canto mi cancion a quen comigo va".



João Paulo Pedrosa

segunda-feira, outubro 29, 2007

Ai que medo que eu tenho!

Se houve um momento, durante este mandato, em que tive a forte convicção de que os votos dos vereadores do PS valeram para alguma coisa foi, justamente, na passada quinta-feira. De facto, os vereadores do PS utilizaram as prerrogativas que têm para bloquear (sim sr vereador Alberto Cascalho, foi esse mesmo o objectivo) uma votação no executivo camarário. A actual e esfrangalhada maioria, sem legitimidade e sem nenhumas condições políticas válidas, quis aprovar um concurso para comprar tendas para o chamado mercado provisório que poderiam ficar à volta de 50 mil contos. Os vereadores do PS recusaram-se a votar esta proposta e a câmara ficou sem quorum para a respectiva votação. Com esta atitude, pelo menos por alguns dias, ou não, impediu-se a persistência nesta loucura. Não contentes com isso, a maioria esfrangalhada PCP/PSD voltou a agendar o mesmo assunto para a próxima reunião e, de caminho, mandaram chamar os vendedores das tendas para assistirem à votação "para verem quem está do lado deles". Dada a natureza da coligação PCP e PSD fiquei sem saber de que lado vêm as forças, de Jaime Neves ou do COPCON ?


João Paulo Pedrosa

quarta-feira, outubro 24, 2007

A pergunta mais marota: Qual a cor do equipamento alternativo do Glorioso SLB ?


Aqui não há mesmo alternativa. Vermelho. Sempre!


João Paulo Pedrosa

O Largo das Calhandreiras

é um excelente blogue, bem escrito, bem humorado e tremendamente perspicaz. A actual maioria do PCP achava que era eu que o escrevia. Este foi, obviamente, o melhor elogio que o PCP alguma vez me podia fazer. Sentia-me orgulhoso, vaidoso até, por o PCP me considerar tão talentoso. Mas não, infelizmente, não sou eu que escrevo no Largo das Calhandreiras, não tenho aquele talento. À parte o atoleiro em que se transformaram as caixas de comentários (o anonimato é a pior praga da blogosfera) onde pessoas bem intencionadas convivem com ofensas gratuitas ou ainda com a presença de pessoas com agenda política e partidária própria que são tão evidentes que chegam até a ser primárias. Adiante!
Reparei há pouco que, por força do post abaixo, me lançaram um desafio maroto. Ok, vamos a isso, não sou de fugir a desafios.



João Paulo Pedrosa

Acção Socialista

Três perguntas a João Paulo Pedrosa, presidente da Federação de Leiria e vereador da Câmara da Marinha Grande (edição do jornal Acção Socialista, pode ver link abaixo)

Porque é que o PS reivindica eleições intercalares na Câmara da Marinha Grande?

É uma atitude superior de respeito pela democracia. O PCP apresentou um candidato que ganhou e, menos de dois anos depois, quis substitui-lo por um candidato que, na ponderação inicial de escolha dos seus candidatos, entendeu não ter condições para ganhar. Trata-se, portanto, de um logro político e de uma descarada fraude eleitoral. Se a moda pega, num dia os cidadãos escolhem os seus representantes e no outro são substituídos nas sedes partidárias. Este problema está ainda mais agravado com a recusa do presidente em sair, afirmando continuar tranquilo no seu lugar, e com o presidente designado pelo Comité Central do PCP a fazer declarações enquanto tal. Temos dois presidentes que é dizer, na prática, que não temos nenhum, uma câmara totalmente paralisada e o concelho vítima do anedotário nacional.

2 - Que comentário lhe merece mais este pedido de renúncia do PCP a um seu autarca, a exemplo do que tem acontecido noutras câmaras?

Aconteceu em Setúbal, aconteceu em Peniche e agora na Marinha Grande. Não é surpresa a falta de respeito que o PCP tem pela vontade dos eleitores, ou seja, pela democracia política.Neste caso é ainda mais grave porque o presidente a quem mandaram sair, não saiu e diz-se vítima de uma tramóia política e de uma golpada, já que o PCP procurou colocar nas suas costas todas as culpas pelo desprestígio que a coligação PCP/PSD que governa a câmara, granjeou junto da população em apenas dois anos de mandato.

3 - Na actual conjuntura, o que podem os eleitores da Marinha Grande esperar do PS?

Acima de tudo, responsabilidade. O PS é a favor da estabilidade e do cumprimento integral dos mandatos. Agora acontece que, perante este caso insólito e bizarro de haver dois presidentes na câmara municipal e com o PSD a retirar também a confiança política ao seu vereador acusando-o, mais à maioria do PCP, de, cito, “políticas desastrosas e de delapidação de dinheiros públicos”, para se sair deste impasse político que paralisa e fragiliza totalmente o concelho, o PS só pode preconizar a realização de eleições intercalares.É a única situação que devolverá a normalidade democrática e a tranquilidade política ao concelho.
J.C.C.B.



INICIATIVA
João Paulo Pedrosa

A serpente há-de morrer do seu próprio veneno

Como disse aqui "a pouco e pouco, não por convicções, mas apenas por razões de sobrevivência política Alberto Cascalho está a pôr em causa as posições políticas que o partido assumiu na campanha eleitoral. Com a agravante, claro está, de o fazerem procurando minar a autoridade e a credibilidade do presidente da câmara legítimo o qual, embora de baixa médica, ainda está em funções. Cada dia que passa, pé ante pé, num verdadeiro jogo de sombras, o PCP e Alberto Cascalho vão retirando margem de manobra ao presidente eleito e dificultando-lhe ao máximo as suas possibilidades de regresso", o PCP está de cabeça perdida, não querendo ver o que toda a gente já viu, agarrando-se ao poder com unhas e dentes, pouco se importando com as consequências negativas da sua acção, quer para o concelho, quer para o bem estar da população. Agora, com base numa notícia de jornal, o PCP decide retirar a confiança política a Barros Duarte, apertando um bocadinho mais o anel da serpente, pensando que com esta estratégia o vão obrigar a renunciar. Todavia o PCP não retira desta falta de confiança política o óbvio, justamente, a renuncia dos dois vereadores que lá estão. A situação é tão caricata como isto, o presidente da câmara não tem a confiança do partido, ou seja, não querem que lá continue, mas os vereadores a quem ele delegou as responsabilidades de o coadjuvar nas suas funções, permanecem. Incluindo o vereador que o substitui nas suas faltas e impedimentos, ou seja, não confia nele, mas aceita substitui-lo. Isto já não é só um enxovalho para os próprios e para o concelho é mesmo triste e totalmente patético.



João Paulo Pedrosa

segunda-feira, outubro 22, 2007

Só falta marcar a data

das eleições intercalares para a câmara municipal da Marinha Grande, depois das palavras que ouvi ao presidente da assembleia municipal, Luís Marques, no passado sábado, no fórum da rádio 94 fm. A pouco e pouco o mistério começa a desvendar-se. Efectivamente, segundo Luís Marques, não foram, ao contrário do que disse o PCP em conferência de imprensa, razões de renovação, nem tão pouco uma situação prevista desde o início do mandato que ditaram o afastamento de Barros Duarte, foram, nas palavras do presidente da assembleia, divergências profundas entre o PCP (ou uma parte dele) e o presidente da câmara, o mesmo já não acontecendo relativamente ao seu número dois, Alberto Cascalho. Portanto, comprova-se aqui a minha tese inicial e que venho mantendo, que o PCP quis mesmo afastar Barros Duarte do cargo de presidente da câmara. Agora, de facto, as razões não podem ter sido estas porque, na verdade, não se verificaram nas reuniãos de câmara, nos momentos de discussão dos assuntos do concelho, qualquer divergência significativa entre Barros Duarte e Alberto Cascalho, diria mais, nunca me lembro de verificar tanta sintonia, como diz o ditado, se um dizia "mata" o outro dizia "esfola". Portanto, só mesmo por razões políticas que se prendem com a má imagem da câmara junto da população e com o PCP a pretender que elas caibam por inteiro a Barros Duarte é que se criou esta crise política artificial e muito prejudicial para os interesses do concelho.
Luis Marques acabou por concluir que se Barros Duarte, como anunciou esta semana ao jornal Região de Leiria, regressar à câmara, não resta outra alternativa mais do que a convocação de eleições intercalares. Portanto, a conclusão é que, no imediato momento que Barros Duarte retome as suas funções, os restantes vereadores do PCP renunciarão aos seus mandatos.
Finalmente a lucidez está a regressar, o PS, o PSD e agora o presidente da assembleia municipal, entendem que a crise política da Marinha Grande só se resolve devolvendo a palavra ao povo. Para bem do concelho que está totalmente paralizado face a todos estes acontecimentos, o melhor é mesmo que as eleições se realizem quanto mais depressa melhor.



João Paulo Pedrosa

sexta-feira, outubro 19, 2007

A razão de Marx

Caio Júlio César foi um líder político romano que, já no fim da vida, travou e venceu uma luta contra Pompeu. Depois desta vitória governou Roma com mão de ferro e tornou-se ditador. Acabou assassinado e isso criou uma grande instabilidade política com graves consequências para o progresso da Europa.
Como disse Marx, a história repete-se sempre duas vezes, a primeira como tragédia a segunda como farsa.



João Paulo Pedrosa

A quem é que isto é suposto interessar ? Não estou mesmo nada a ver !

Pela primeira em noventa anos de história do poder comunista em todo o mundo, tivemos conhecimento que uma reunião interna do partido foi gravada secretamente e a respectiva gravação foi passada para um jornal com um propósito e um intuito claro, matar politicamente um dos deles. E isso aconteceu aqui no nosso concelho, tal como veio ontem relatado no Jornal da Marinha Grande . Com toda a franqueza, eu que combato politicamente os comunista há mais de 20 anos na Marinha Grande, nunca pensei chegar a este ponto, a partir de agora vou ter mais atenção a passar nas passadeiras...



João Paulo Pedrosa

quarta-feira, outubro 17, 2007

A seguir substituem as CNC por ábacos

Algumas peixeiras do mercado da Marinha Grande disseram-me que o vereador Artur Oliveira lhes terá dito que iria arrancar as bancas do peixe do mercado novo para as ir colocar nas tendas da "feira dos porcos".
Procurei no calendário, 1 de Abril, férias no Júlio de Matos, crise orçamental nas Brancas ou excurssões de Rilhafoles. Só podia ser isso! Mas eis que na segunda-feira à noite,Telmo Ferraz diz que no decorrer da assembleia municipal Saul Fragata lhe terá dito o mesmo. Se isto for assim, não sei como se faz, não sei qual a cobertura legal para o desencadear, mas juro que os vereadores do PS tudo farão para atestar da inimputabilidade de uma decisão destas. Há limites para tudo.



João Paulo Pedrosa

terça-feira, outubro 16, 2007

Reflexos da crise

Até o padre Nelson Araújo, estimado companheiro blogger que, ultimamente, tem preferido paisagens mais ardentes, se rendeu à moda dos independentes . Independentes que no léxico blogosférico cá do burgo e no jargão popular assenta mais ou menos nesta definição:
Independente para ser o candidato ideal às eleições autárquicas tem que ter estado, pelo menos, 50 anos na Marinha Grande sem nunca ter aberto a boca, caladinho, sem nunca ter proferido uma simples opinião sobre o que quer que fosse, da industria, ao comércio, à escola, passando pelo desporto e pela cultura e muito menos, ó trágico pecado mortal, que alguma vez tenha entrado na frivolidade de discussões e polémicas por causas públicas. O independente ideal é pois o cidadão que nunca se deu por ele, exigindo-se apenas que ande por aí. Pronto, é só procurarem!
Logo você, meu estimado Padre, que sabe bem o valor das palavras e quanto custa, ainda, nos dias de hoje, ter opinião. Lembre-se, "no princípio era o verbo", como tão bem está escrito no prólogo do Evangelho de S. João.



João Paulo Pedrosa

Jogo de Sombras

Na assembleia municipal da passada segunda-feira, ia já longa a noite quando Osvaldo Castro fez a pergunta sacramental, onde está o Presidente da Câmara? O incómodo na bancada do PCP foi total, o deputado do PS foi ofendido e insultado por deputados do PCP que já perderam a cabeça e estão mesmo sem discernimento para tratar deste assunto, tal o atoleiro para onde o conduziram. Valham-nos, ao menos, as palavras sinceras do deputado Artur Marques que reconheceu estarmos perante uma crise política grave e não enjeitou a possibilidade de eleições intercalares. Percebe-se bem o incomodo do PCP em todo este processo e quais são os seus objectivos a curto prazo. Os objectivos são, justamente, fazer adormecer a opinião pública sobre este assunto, esquecendo-se de Barros Duarte, falando dele o menos possível e fazendo emergir Alberto Cascalho. Ficou claro nesta reunião que o PCP não conta mais com Barros Duarte e pior ainda, tudo quer fazer para esquecer estes dois primeiros anos de mandato, revogando as políticas da actual maioria PCP/PSD, assumidas por todos eles, mas pretendendo que sejam só da responsabilidade e com culpas inteirinhas para Barros Duarte.
Reparem neste exemplo:
O PCP, pela voz de Barros Duarte, tem há muito uma posição política contra a integração da câmara no sistema da SIMLIS, Alberto Cascalho nunca defendeu posição diferente. Mas na última assembleia, perante a ameaça do PSD em rejeitar o próximo orçamento municipal, Alberto Cascalho que, note-se, está apenas a substituir o presidente por baixa médica deste, já anunciou ceder, mudar de posição, assumindo quase a sua inevitabilidade, procurando projectar, nas entrelinhas, uma posição diferente daquela que tem sido a sua e a do seu partido e encaminhando-se para uma pirueta. E este vai ser o retracto definido até ao fim do mandato, recuar em tudo e não decidir em nada. Ou seja, dito por outras palavras, a pouco e pouco, não por convicções, mas apenas por razões de sobrevivência política Alberto Cascalho está a pôr em causa as posições políticas que o partido assumiu na campanha eleitoral. Com a agravante, claro está, de o fazerem procurando minar a autoridade e a credibilidade do presidente da câmara legítimo o qual, embora de baixa médica, ainda está em funções. Cada dia que passa, pé ante pé, num verdadeiro jogo de sombras, o PCP e Alberto Cascalho vão retirando margem de manobra ao presidente eleito e dificultando-lhe ao máximo as suas possibilidades de regresso. É o poder usurpado no seu máximo esplendor. É por tudo isto também que a substituição de Barros Duarte por Alberto Cascalho é totalmente ilegítima. Estou convencido que a decisão de haver ou não eleições intercalares está, sobretudo, nas mãos de Alberto Cascalho. É ele que face a todas estas mudanças (e serão muitas mais a seguir) tem que entender que só é aceitável alterar as políticas com que o PCP se comprometeu na campanha eleitoral, indo a votos, sufragando-as junto da população e aí, se o merecer, colher a apossar-se da legitimidade que neste momento lhe falta. Caso contrário, se o não fizer, Barros Duarte deveria então renunciar quanto mais depressa melhor, para bem da sua dignidade pessoal que merece ser preservada e respeitada. De facto, nem para um adversário político como eu que, no essencial, discorda da maior parte das coisas que ele defende, esta situação é humanamente desejável. Cada dia que passa a sua situação fica mais penosa. O PCP está a queimá-lo em lume brando. E se daqui a um mês voltar, corre bem o risco de já ter sido ultrapassado e desautorizado em praticamente tudo. E com tudo isto a câmara está paralisada, sem iniciativa, sem objectivos, sem estratégia e sem liderança. Uma agonia total.


João Paulo Pedrosa

segunda-feira, outubro 15, 2007

Trocam-se convicções por cobardia

Há um mês atrás a câmara decidiu, com os votos da maioria PCP/PSD, extinguir a TUMG. Na altura, de nada valeram os meus argumentos para se pensar melhor no assunto e até para colocarem de pé uma proposta do PSD na assembleia municipal para se encontrarem as melhores soluções. Nada! Era para extinguir, era para extinguir.
Nos jornais o PSD fez saber que ia votar contra a proposta. Ora, os votos do PSD mais os votos do PS são suficientes para que a proposta de extinção não seja aprovada. Já sei que, hoje, na assembleia municipal a câmara vai retirar da discussão este assunto. Mudaram de opinião ? Não! Apenas tiveram medo que a proposta fosse rejeitada.



João Paulo Pedrosa

Se alguém tivesse dúvidas

a realidade aí está para as dissipar, Alberto Cascalho nem chega a começar os debates, termina-os com o recurso ao voto de qualidade. De facto, na última reunião de câmara, assistimos a mais uma demonstração da tolerância e espírito de diálogo do sr vereador. Há um mês atrás, os vereadores do PS fizeram uma proposta para que a câmara comprasse os terrenos da Portela ao Marinhense para ali construir uma cidade de serviços. Argumentámos com a necessidade de revitalizar o centro e apelámos ao espírito das decisões consensuais sobre grandes projectos, como já aconteceu no passado. Barros Duarte, perante um empate na votação da câmara, não quis usar o voto de qualidade para desempatar e remeteu o assunto para discussão mais profunda. Na reunião seguinte Barros Duarte não esteve presente. Reposta pronta de Alberto Cascalho, está chumbada, na votação de três votos contra três, fez logo uso do voto de qualidade.



João Paulo Pedrosa

quinta-feira, outubro 11, 2007

Audiência com o Presidente da Câmara

Nós, os três vereadores do PS, solicitámos ontem uma audiência ao presidente da câmara para lhe manifestar as nossas preocupações pela grave crise política e de confiança por que está a passar o concelho e, ao mesmo tempo, saber o que realmente está a acontecer. O presidente transmitiu-nos que está de baixa médica e, de facto, constatámos que se encontra realmente doente, profundamente triste e deprimido. Esperamos por isso que se restabeleça rapidamente e que assuma o seu lugar como disse ser sua intenção. Obviamente que para além de uma componente política a conversa também assumiu aspectos de natureza pessoal que me escuso totalmente a comentar, na medida em que o mais importante é que os problemas de saúde se resolvam rapidamente. Apesar de ter escrito o post anterior "A alternativa do Diabo", para o jornal da Marinha Grande, na segunda-feira passada, se fosse hoje não lhe alteraria uma única vírgula.


João Paulo Pedrosa

A alternativa do Diabo

É o título de um livro de Frederick Forsyth, mestre da literatura inglesa em espionagem política. Cito este e podia citar outros ainda, Cães de Guerra, O Dia do Chacal, O Manipulador e, mais recentemente, Sem Perdão, são obras-primas deste género literário que há muitos anos me habituei a ler com redobrado interesse. Na grande maioria destas narrativas o enigma é quase sempre resultado de uma situação insólita que permanece por explicar ou está envolvida numa penumbra de secretismo, de mistério, de perseguição, uma vingança tenebrosa ou ainda uma fatal traição infame.
Lembrei-me destas histórias, claro está, a propósito da anunciada renúncia de Barros Duarte à presidência da câmara, decretada pelo PCP e por Alberto Cascalho, na passada semana, em conferência de imprensa.
Efectivamente, anunciada como sendo o resultado de um compromisso eleitoral de Barros Duarte que, na verdade, em bom rigor, ninguém nunca tinha ouvido falar, o PCP decretou a renúncia dele com data marcada e tudo. Quatro de Outubro era a data em que “o senhor que se segue”, Alberto Cascalho, devia começar a ser tratado por “Sr Presidente”. Cascalho não perdeu tempo e, logo ali, bem compenetrado do seu novo papel, começa a enunciar traços de distinção com o presidente cessante e até a desenvolver já considerações sobre o desempenho dos vereadores do PS e do PSD, sobre os pelouros a atribuir a este e aquele, enfim, estava, de facto, imbuído do espírito de uma verdadeira noite eleitoral, mesmo que a legitimidade dessa noite eleitoral tivesse vindo apenas, não das urnas, mas da sede local do PCP. Havia em toda esta aparente normalidade muito da narrativa misteriosa do romance policial. Onde estava Barros Duarte? Porque não compareceu à conferência de imprensa? Porque é que esta se realiza durante as suas férias? Porque é que uma vida, onde grande parte dela é de serviço público, concorde-se ou não com a sua visão dele, não é isso que interessa agora, é rematada em meia dúzia de patacoadas pífias sem rasgo nem entusiasmo? O mistério adensa-se mais ainda, no dia seguinte, com Artur de Oliveira a afirmar que Barros Duarte não assumiu nenhum compromisso daqueles que afirmaram ter assumido e diz ainda que ele está magoado e sem intenção de sair. A narrativa começava a ter tudo. O thriller incorporava um mistério por resolver e agora há que ir em busca da respectiva decifração.
E assim foi, de facto, no dia de “remir os cativos” (4 de Outubro) Barros Duarte não aparece na reunião de câmara. Anda por lá, almoça na cantina e, no fim do dia, cumprimenta-me alegremente como se nada se estivesse a passar.
Ao longo da narrativa do romance de espionagem a solução do enigma constituirá a preocupação dominante do autor, sendo certo que uma das personagens desempenha a função central no decurso da intriga. O enigma aqui é a atitude do PCP e a personagem central da intriga, Alberto Cascalho. Nos dois está a decifração.
Nos estritos cânones da narrativa de espionagem esta é uma atitude de alta traição, política e pessoal. Na verdade, o que poderá ter levado, a não ser uma atitude insana de ânsia desmesurada de poder a qualquer preço, sem consideração pela vontade dos eleitores, respeito humano pela pessoa do presidente da câmara, o colaborador mais próximo deste, em quem depositou e delegou a maior parte das suas competências, mesmo aquela de maior confiança que é o de o substituir nas suas faltas e impedimentos, a cometer uma atitude destas?
Alberto Cascalho até podia estar de boa fé, não posso julgar o contrário, convencido que Barros Duarte iria renunciar, pode ainda estar imbuído dos melhores propósitos e intenções, mas a partir do momento em que isso não se verificou a posição dele ficou totalmente insustentável e com a sua credibilidade definitivamente abalada. Assim, só tem uma saída digna e honrosa, à medida das personagens grandes que na narrativa estão no lugar central da intriga.
E o que terá levado o PCP a, pouco mais de ano e meio de mandato, querer livrar-se de Barros Duarte?
É simples. Este executivo, por força da marginalização a que votou os vereadores do PS, não os ouvindo em praticamente nada do que é decisivo para o concelho, nem os envolvendo na reflexão sobre o futuro colectivo, nem sequer procurando encontrar decisões colegiais e consensuais, não obstante ter uma maioria com o PSD, enredou-se em trapalhadas, más decisões e decisões erradas que os têm levado ao descrédito total perante a população. Na verdade, não há hoje no concelho quem dê o mínimo benefício da dúvida a este executivo municipal PCP/PSD. O PCP apercebeu-se disso e procurou antecipar e minorar as consequências, traçando um plano maquiavélico que passava pela substituição do presidente da câmara, procurando que a população veja nele o causador de todos problemas e que, ao mesmo tempo, carregue nas suas costas todos os erros do executivo.
Sem honra nem glória, com a sua dignidade ferida e com a sua imagem denegrida aos olhos de todos, Barros Duarte, depois de há pouco mais de um ano ter ganho as eleições, seria agora, ironia das ironias, para o seu próprio partido de sempre, a fonte de todos os males. Não é, de facto, humanamente possível, ou sequer aceitável, que se peça isto a alguém.
É que, por outro lado, não se conhecem da parte de Alberto Cascalho, efectivamente, divergências ou atitudes diferentes das que Barros Duarte tomou, antes pelo contrário. No executivo municipal, o radicalismo, a afirmação de votações apenas porque se está em maioria, o terminar abruptamente discussões e debates de problemas importantes, o recurso sistemático ao voto de qualidade e as invectivas contra os vereadores do PS e, portanto, contra uma voz e uma opinião diferente no executivo, sempre vieram mais da parte de Alberto Cascalho do que de Barros Duarte. Na narrativa de fábula, Alberto Cascalho é a imagem do lobo vestido de cordeiro.
Tenho cá para mim que Barros Duarte acabará por renunciar.
Esta sua atitude é apenas um sinal, uma revolta interior de quem não concorda com o processo, muito menos com o método. Pretende, no fundo, dar esse sinal. Sai ferido e traído por praticamente todos os camaradas que ajudou a promover e a quem, por força do seu prestígio pessoal e profissional, deu notoriedade. Já é suficientemente crescido para não se desiludir ou surpreender com esta acção do PCP. Até eu, que fui seu adversário político e que divirjo dele em quase tudo, me custa aceitar vê-lo abandonado assim. É evidente que vão procurar remediar a coisa, fazendo uns artigos inflamados nos jornais, promovendo uns jantarezitos a que não faltará Jerónimo de Sousa e outros rabiscadores profissionais de epitáfios, mas a verdade é que o mal está lá e o sangue escorre às golfadas, como Dante tão bem o descreveu na Divina Comédia.
Voltamos, no fundo, à fórmula contida na narrativa do género de espionagem, a saber, a construção de uma grande carga mítica que satisfaz as expectativas de justiça.
Para o leitor (para o cidadão do concelho) o importante é desvendar o mistério (saber a verdade). Quando, na narrativa, o detective aponta o criminoso (no nosso caso, quando o leitor identifica a história e conhece o papel dos seus personagens) há a sensação de que o mundo foi resgatado do caos e que a ordem das coisas foi estabelecida. Ora, nem mais, em democracia só há um caminho honroso para resgatar este caos. Eleições. Devolver a voz ao povo.


João Paulo Pedrosa

sábado, outubro 06, 2007

Roma não paga a traidores

Chegou-me há pouco a informação que uma conhecida personalidade do PSD da Marinha Grande anda a fazer convites para um jantar de homenagem a Barros de Duarte, homenagem aqui significa evitar que ele renuncie, como lhe foi imposto pelo PCP.
Esta informação, a ser verdade, para além de um problema político gravíssimo, coloca em cima da mesa problemas de ordem ética totalmente inadmissíveis para que possam passar sem quaisquer tipo de consequências. Vamos aos factos:
1 - O PCP anuncia, num ápice, a substituição do presidente da câmara por um vereador;
2 - Estranhamente, muito estranhamente, o presidente da câmara não está presente na conferência de imprensa a dar anuência e a caucionar esta passagem de testemunho;
3 - Alberto Cascalho, apressa-se a falar já como presidente, demarcando-se de Barros Duarte e, num exercício de arrogância e enorme falta de humildade, começa logo a dizer que vai avaliar o trabalho dos vereadores do PS, como se tivesse alguma autoridade para isso;
4 - O PSD rejubila com a mudança e deixa entender, nas entrelinhas, que fizeram também eles alguma coisa para que isto viesse a acontecer;
5 - Alberto Cascalho, de imediato, desfaz-se em elogios à colaboração PSD;
6 - Artur Oliveira afirma a diversos órgãos de comunicação social que Barros Duarte não quer sair e está magoado;
7 - Na quinta-feira, data avançada pelo PCP para Barros Duarte renunciar, este não comparece à reunião de câmara e Alberto Cascalho diz que não o consegue contactar, nem sabe onde ele está;
8 - Nesse dia, Barros Duarte esteve todo o dia na câmara, almoçou na cantina e esteve a trabalhar, às 18.30 encontrei-o, cumprimentámo-nos com muita cordialidade, como fazemos sempre e achei-o muito abatido, posso mesmo afirmar, triste.
9 - Sexta-feira começa a angariação de pessoas para um jantar de desagravo;

Moral da História: A confirmarem-se todos estes indícios, só se pode concluir que Alberto Cascalho e a direcção do PCP participaram num processo de contornos muito sinistros com vista à substituição do presidente da câmara legitimamente eleito, nas suas costas e sem o seu consentimento.
Aproveitaram um momento particularmente difícil para a actual maioria camarária (com todas as trapalhadas de gestão a fazerem-se sentir no grande descontentamento da população) para se livrarem do presidente de câmara, procurando fazer recair nele as culpas de tudo o que de mau se tem passado, não tendo nenhum pejo em forçarem uma saída pela porta pequena, sem mérito, honra ou glória, apenas para dar o palco ao senhor que se segue que, no pensamento deles, surgia agora aos olhos da população como o homem que se encarregaria de por ordem no caos. Jorge Martins, empresário marinhense foi, nas páginas do Jornal de Leiria de ontem, o primeiro a morder o isco.
Só contaram com a esperteza deles!
A ser assim, para além das consequências políticas que tudo isto, naturalmente, terá (e são muito óbvias), só há uma solução digna para este episódio triste e lamentável da história política local, devolver a palavra ao povo.



João Paulo Pedrosa

quinta-feira, outubro 04, 2007

A voz do povo

No fim da reunião de câmara fui, à pressa, almoçar a um pequeno restaurante da cidade. A proprietária, assim que me viu entrar perguntou: "ouça lá, diz que o presidente de câmara se demitiu, é verdade ?". "Não! que eu saiba mandaram-no demitir-se", respondi. "Ahh!! isso não se faz - referiu a senhora indignada - está mal feito, pois se foi ele que foi eleito, deviam ao menos respeitar isso".
Pois.



João Paulo Pedrosa

E a realidade segue dentro de momentos...

O PCP anunciou em conferência de imprensa que Barros Duarte ia renunciar hoje, dia 4 de Outubro, havendo já amanhã um novo presidente escolhido na sede local do partido. Mais acrescentaram que esta decisão estava tomada desde o acto eleitoral. Artur Oliveira vereador do PSD que sustenta uma coligação com os comunistas afirmou, ontem, ao jornal Diário de Leiria, que o presidente não queria sair e está magoado com a atitude. Hoje, na reunião de câmara, Barros Duarte não aparece para apresentar a renuncia e Alberto Cascalho, o designado, diz que não sabe dele, nem a razão por que não veio.



João Paulo Pedrosa

quarta-feira, outubro 03, 2007

Uma discussão blogosférica sobre a renúncia

pode ser lida aqui no Arrastão


João Paulo Pedrosa

terça-feira, outubro 02, 2007

O poder ao povo

O PCP acaba de obrigar Barros Duarte a renunciar ao lugar de Presidente da Câmara Municipal da Marinha Grande, para o qual foi eleito há pouco mais de um ano. O PCP pode não querer este presidente e substitui-lo por outro, mas para isso só tem que fazer uma coisa, escolhe-o e apresenta-o a eleições. É simples! Em democracia é a população que escolhe o Presidente da Câmara não é o comité central do PCP. O Sr Vereador Alberto Cascalho, daquilo que conheço dele, certamente, respeitará esse princípio democrático e não aceitará o poder usurpado. Ou se respeitam os princípios mais elementares da democracia representativa ou, para alguns, a democracia é apenas uma golpada.



João Paulo Pedrosa